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Fast-food? Comigo não

segunda-feira, 7 de julho de 2008 por Paulino Michelazzo

Minha velha é pessoa que cozinha e bem. Seja cozinhando para um ou pra uma dúzia, não tem como a comida não ficar boa. Segredo? Não é sazon mas é muito amor e muito carinho e gostar muito do que faz. Com esta receita não tem comida que não fique boa.

E dela herdei o mesmo gosto pela comida bem feita e como não poderia negar a descendência italiana, tenho pavor de fast-food. Pior, não é somente de comida fast-food que quero distância, mas também de software fast-food. Isso mesmo, aquele que o cliente diz “prá ontem”.

Prá ontem não existe no meu dicionário. Não faço prá ontem porque sei cozinhar. Do mesmo jeito que adoro comida bem feita, demoro para dar uma solução para um cliente. Mas por que demoro? Porque ele recebe não um conjunto de códigos jogados no meio de vários arquivos. Ele recebe um código todo comentado, um banco de dados todo desenhado, com seus dicionários, seus modelos, uma documentação completa com manual de usuário e administração e, se não bastasse, um treinamento sobre o que aquilo faz. Para mim fazer software é como um roteiro grastronômico, quase um ritual que vai desde a entrada até o café e cigarro no final.

Um artigo meu fala sobre isso mas hoje vou mais além nos pensamentos. Fiz uma enquete pessoal e descobri que a grande maioria daqueles que desejam um software fast-food são aqueles que menos tem para gastar. Coincidência ou não eles se esquecem que uma boa comida não depende de custo, mas de qualidade. Ao invés de “parcerizar” a idéia e trazer o desenvolvedor para junto pegando-o pelo estômago, afronta-os com a comida isopor acreditando que está fazendo um grande favor à ele, como se comer no McDonald’s fosse um favor para a cadeia americana. Ledo engano.

Falta senso principalmente de compartilhamento. Compartilhamento de trabalho, de idéias, de conhecimento, de prazeres. A cada dia a foice corta mais baixo e mais fundo, esquecendo-se porém que um dia não mais terá o que cortar.

Será que ainda tem jeito de comer uma comidinha de verdade?

Marketing com força e inteligência

quarta-feira, 18 de junho de 2008 por Paulino Michelazzo

A Internet deu hoje mais uma mostra de seu poder de penetração e também do que o marketing bem feito é capaz de operar. A Fundação Mozilla bateu o recorde mundial de downloads de um mesmo software nas primeiras vinte e quatro horas de seu lançamento ou alguma coisa como a maior bilheteria da história do cinema. Foram quase 8 milhões e 600 mil downloads resultando em uma média acima de 5 mil downloads por minuto. A coisa foi tão grande que não escaparam as tradicionais piadas como o envio de um bolo pela turma da Microsoft para o Mozilla.

Mas de onde veio tanto poder? Como um software conseguiu mobilizar tanta gente em quase todos os países do mundo em torno de algo? Como é possível tal façanha sem gastar um único centavo? Simples: marketing bem feito.

Não é de hoje que a Internet mostra o contraponto ao marketing tradicional. Enquanto algumas empresas gastam milhões com grandes campanhas para seus produtos e serviços na mídia tradicional e esquecem da Internet (esquecem???), a marca mais valiosa do mundo (Google) não gasta um único centavo com TV, revistas ou jornais. Simplesmente seus 86 bilhões de dólares advém da força da Internet, de um produto bem feito e claro, de um marketing localizado e dentro de uma das máximas do dia-a-dia: falem bem, falem mal mas falem de mim.

O Firefox não foge a regra. Com um produto excepcional (vai dizer que não é), um marketing genial e focado na comunidade de usuários, ele mostra que o gasto com o tradicional não é obrigatório para uma marca crescer, mas sim inteligência, bom senso e ousadia para fazer aquilo que ninguém tinha pensado antes.

Será que este pode ser o pontapé para um novo boom no marketing digital?