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Fazendo a lição de casa

sexta-feira, 15 de agosto de 2008 por Paulino Michelazzo

Um grande website de vendas de ingressos para shows e eventos passou por um fiasco na semana da bossa nova em São Paulo com problemas que foram desde a não disponibilidade do serviço na Internet até a falta de tato com o usuário de seus serviços. Acostumados com um tráfego linear durante todo o tempo, em um repentino “boom” de acessos o website entrou em colapso deixando centenas de pessoas que queriam adquirir ingressos a míngua. Diante disso fica a pergunta: até quanto é possível mensurar cargas atípicas e o que fazer como contingência nestes casos? A resposta é: planejamento e lição de casa.

A cada dia mais e mais facilidades estão disponíveis na Internet. Desde serviços públicos até a aquisição de bens e serviços, tudo pode ser encontrado na grande rede de uma forma ou de outra. Muitas destas incursões no mundo digital são realizadas sem critérios, sem planejamento e pior que isso, sem testes. Este mix gera frustração para o usuário que precisa ou deseja ganhar tempo usando uma ferramenta e perda monetária para o fornecedor. Um bom exemplo é o caso de uma prefeitura do interior de São Paulo que possui um sistema de emissão de guias de recolhimento de impostos que contém um erro de uma única barra (/) em seu código, impedindo o contribuinte de emitir e imprimir a guia. Como resultado desta barra equivocada, impostos deixam de ser pagos por aqueles que não querem ou não podem ir até a repartição pública. Uma simples barra que foi lá esquecida por alguém que desenvolveu e não testou o que fez gerando perda monetária e frustração. Uma simples barra…

Mas nem só de erros de programação vive a web. Existem também aqueles causados pelo excesso de confiança que são como relacionamentos amorosos. Confia-se tanto no parceiro que são esquecidas regras básicas de convívio e manutenção do que foi construído, até o momento que esta confiança é traída e a lamentação torna-se onipresente (como bem relatado no artigo de Juliana Padron). E este foi o caso desta semana; excesso de confiança no sistema acarretou centenas de reclamações de seus usuários, perda financeira para a empresa e principalmente a credibilidade arranhada. Depois dessa, quem vai acreditar que é possível ter tranquilidade na aquisição de ingressos para grande eventos?

Claro, erros acontecem em todos os sistemas e até estamos acostumados com eles. Mas existem erros e “erros”. Numa função pouco usada ou que somente em determinadas circunstâncias é ativado, pode ser “aceito” tal como os bug’s de navegadores que permitem alguns usos indevidos sobre formas pouco convencionais, mas erros no meio de um fluxo constantemente usado são aqueles considerados inadmissíveis em todos os sentidos.

Para contornar situações como estas somente o planejamento e a velha “lição de casa”. O planejamento é usado para tentar mensurar o maior número de variáveis possíveis do sistema, inclusive aquelas que são consideradas atípicas tais como acessos em alta escala até a pane dos servidores. A lição de casa nada mais é que testar estas variáveis e criar planos de contingência no intuito de minimizar os efeitos colaterais advindos deste cenário catastrófico. Pecando nestes dois pontos tem-se uma ponte de cordas velhas sobre um desfiladeiro; pode não cair agora mas cairá algum dia.

Dicas? Inúmeras. Mas principalmente o bom senso e o real trato com os usuários. Deixar uma mensagem de “serviço indisponível” certamente não é a melhor forma de dizer ao usuário que o sistema está manco. Ser franco, admitir o erro e tentar da melhor e mais rápida forma contorná-lo (onde está a contingência?) são as ferramentas existentes no momento do caos. Se não tem solução, solucionado está mas este não é o provérbio que deve ser adotado a ferro e fogo na Internet. Até descobri-se que não existe solução, a busca por ele deve ser incansável, mesmo que seja para ver e ouvir João Gilberto.

Programação como ela é

sábado, 26 de julho de 2008 por Paulino Michelazzo

Neste ano o iMasters Intercon vai desafiar a cabeça e as pernas de seus participantes. O conjunto de novidades é tão grande que a dúvida será como dividir a mente de duas, três partes para poder acompanhar tudo o que vai ocorrer dentro do evento. Desde palestras de gente conhecida da mídia digital até cabo de rede voador vai ter numa festa que promete ser memorável em todos os sentidos.

E para deixar o caldo mais grosso ainda, fui convidado este ano para participar não como palestrante como nas últimas… sei lá quantas vezes. Desta vez o buraco é um pouco mais embaixo e o desafio muito maior que estar diante de 700 pessoas falando sobre algum tema. As oficinas de programação, desde sua concepção até o resultado final ficaram sob minha responsabilidade, a qual prometi dar o melhor possível para agradar gregos, troianos, romanos e tudo mais o que vier.

Como desta vez os organizadores do evento pagam uma dívida antiga para com um segmento até então meio esquecido, os programadores terão o prazer de se deleitar não com aquelas palestras teóricas ou fundamentais, mas sim com aquilo que vêem todos os dias: código. A idéia é levar o ambiente de trabalho dos programadores para dentro do evento com os mesmos desafios e a mesma informalidade, propiciando assim um espaço diferente onde se sintam em casa e participem dos códigos que irão nascer das mãos dos que já estão há anos na lida do desenvolvimento.

O time de palestrantes, escolhidos a dedo por suas capacidades e facilidades de fazer coisas complexas se tornarem simples poderá ser conhecido dentro de alguns dias bem como os temas abordados, os quais certamente irão deixar muito programador com coceira nos dedos. Não acredita? Literalmente pague para ver o que estamos preparando no Intercon 2008.

:wq

Erros e acertos na web

terça-feira, 22 de julho de 2008 por Paulino Michelazzo

Mês passado fui entevistado pela revista Ensino Superior voltada para universidades e faculdades de todo o país. O tema era os erros e acertos no desenvolvimento web, principalmente, mas não somente, para o segmento educacional.

Nela, eu e outros especialistas da área analizamos vários websites de universidades públicas e privadas objetivando principalmente apresentar as formas de como não fazer um website, seja ele voltado à alunos ou ainda à consumidores em geral e tomando como foco principalmente questões de acessibilidade e usabilidade, além de performance, ponto muito importante nos dias que mascaram o pequeno usuário dos confins do país sob os números de linhas DSL.

Vale a pena uma lida na matéria que pode ser acessada clicando-se aqui. Os comentários, como sempre, são muito bem vindos.

Fast-food? Comigo não

segunda-feira, 7 de julho de 2008 por Paulino Michelazzo

Minha velha é pessoa que cozinha e bem. Seja cozinhando para um ou pra uma dúzia, não tem como a comida não ficar boa. Segredo? Não é sazon mas é muito amor e muito carinho e gostar muito do que faz. Com esta receita não tem comida que não fique boa.

E dela herdei o mesmo gosto pela comida bem feita e como não poderia negar a descendência italiana, tenho pavor de fast-food. Pior, não é somente de comida fast-food que quero distância, mas também de software fast-food. Isso mesmo, aquele que o cliente diz “prá ontem”.

Prá ontem não existe no meu dicionário. Não faço prá ontem porque sei cozinhar. Do mesmo jeito que adoro comida bem feita, demoro para dar uma solução para um cliente. Mas por que demoro? Porque ele recebe não um conjunto de códigos jogados no meio de vários arquivos. Ele recebe um código todo comentado, um banco de dados todo desenhado, com seus dicionários, seus modelos, uma documentação completa com manual de usuário e administração e, se não bastasse, um treinamento sobre o que aquilo faz. Para mim fazer software é como um roteiro grastronômico, quase um ritual que vai desde a entrada até o café e cigarro no final.

Um artigo meu fala sobre isso mas hoje vou mais além nos pensamentos. Fiz uma enquete pessoal e descobri que a grande maioria daqueles que desejam um software fast-food são aqueles que menos tem para gastar. Coincidência ou não eles se esquecem que uma boa comida não depende de custo, mas de qualidade. Ao invés de “parcerizar” a idéia e trazer o desenvolvedor para junto pegando-o pelo estômago, afronta-os com a comida isopor acreditando que está fazendo um grande favor à ele, como se comer no McDonald’s fosse um favor para a cadeia americana. Ledo engano.

Falta senso principalmente de compartilhamento. Compartilhamento de trabalho, de idéias, de conhecimento, de prazeres. A cada dia a foice corta mais baixo e mais fundo, esquecendo-se porém que um dia não mais terá o que cortar.

Será que ainda tem jeito de comer uma comidinha de verdade?