Posts com a Tag ‘Internet’

Jogada de marketing?

segunda-feira, 8 de setembro de 2008 por Stelleo Tolda

A banda irlandesa U2 vem causando certo furor em função de um novo álbum que tem data certa para ser lançado: novembro.

Porém, a polêmica não gira em torno do disco a ser lançado, mas de um suposto single que já teria caído nas graças dos internautas por conta de um episódio no mínimo estranho.

Bono Vox, o vocalista da banda, estaria ouvindo em alto e bom som o seu single, quando um fã passava pela rua perto de sua casa e teria captado e gravado tal música. Eis que a música já estaria na internet mobilizando o boca-a-boca online típico das exclusividades.

 

O single, denominado Sexy Boots, já está no YouTube e arrebanha diversos fãs para o disco que nem lançado foi.

 

A banda nega que a estratégia tenha sido usada para gerar buzz em torno do single e do novo álbum, de nome “No line on the Horizon”.

 

Para ouvir as versões da música no YouTube, acesse: http://www.undercover.com.au/News-Story.aspx?id=6015.

 

Será essa uma estratégia de guerrilha usada pela banda com finalidade de aumentar o boca-a-boca? Onde fica a inteligência subestimada dos reais fãs da banda neste caso?

 

Veja mais na web

U2 Sexy Boots Riff Is All Over YouTube (Fonte Site Undercover) 

Fast-food? Comigo não

segunda-feira, 7 de julho de 2008 por Paulino Michelazzo

Minha velha é pessoa que cozinha e bem. Seja cozinhando para um ou pra uma dúzia, não tem como a comida não ficar boa. Segredo? Não é sazon mas é muito amor e muito carinho e gostar muito do que faz. Com esta receita não tem comida que não fique boa.

E dela herdei o mesmo gosto pela comida bem feita e como não poderia negar a descendência italiana, tenho pavor de fast-food. Pior, não é somente de comida fast-food que quero distância, mas também de software fast-food. Isso mesmo, aquele que o cliente diz “prá ontem”.

Prá ontem não existe no meu dicionário. Não faço prá ontem porque sei cozinhar. Do mesmo jeito que adoro comida bem feita, demoro para dar uma solução para um cliente. Mas por que demoro? Porque ele recebe não um conjunto de códigos jogados no meio de vários arquivos. Ele recebe um código todo comentado, um banco de dados todo desenhado, com seus dicionários, seus modelos, uma documentação completa com manual de usuário e administração e, se não bastasse, um treinamento sobre o que aquilo faz. Para mim fazer software é como um roteiro grastronômico, quase um ritual que vai desde a entrada até o café e cigarro no final.

Um artigo meu fala sobre isso mas hoje vou mais além nos pensamentos. Fiz uma enquete pessoal e descobri que a grande maioria daqueles que desejam um software fast-food são aqueles que menos tem para gastar. Coincidência ou não eles se esquecem que uma boa comida não depende de custo, mas de qualidade. Ao invés de “parcerizar” a idéia e trazer o desenvolvedor para junto pegando-o pelo estômago, afronta-os com a comida isopor acreditando que está fazendo um grande favor à ele, como se comer no McDonald’s fosse um favor para a cadeia americana. Ledo engano.

Falta senso principalmente de compartilhamento. Compartilhamento de trabalho, de idéias, de conhecimento, de prazeres. A cada dia a foice corta mais baixo e mais fundo, esquecendo-se porém que um dia não mais terá o que cortar.

Será que ainda tem jeito de comer uma comidinha de verdade?

Monopólio travestido de concorrência

sexta-feira, 4 de julho de 2008 por Paulino Michelazzo

Qualquer brasileiro com dois neurônios bons e um manco tem certeza que o processo de privatização das companhias telefônicas (as famosas teles) em nosso país foi um dos maiores engodos políticos e comerciais que já vivemos. Pagamos via BNDES para empresas estrangeiras manipularem dados e voz em nosso território sem criar uma efetiva concorrência que oferecesse opções para os usuários. Mudaram os donos mas a fedentina continuou a mesma (só que mais rápida).

Exemplo disso apresentou-se esta semana em São Paulo. O estado com maior PIB do país simplesmente foi removido do planeta Internet por um defeito “complexo e raro” ocorrido na Telefonica de España, aquela que detém o monopólio das telecomunicações do estado. Sem escrúpulos e principalmente sem respeito, a empresa desconversa sobre o problema que amordaçou não somente os pequenos e desamparados usuários domésticos, mas também o mesmo governo que graciosamente ofereceu a concessão à eles. Para abafar o caso, estão fazendo o possível para restabelecer as conexões e delegacias de polícia, serviços públicos, escolas e até mesmo poderosos serviços de transações bancárias tiveram seu período de nostalgia reavivando canetas Bic e formulários xerocados. Nem mesmo em países comunistas tal prática é possível ser imaginada. Lá, ou se tem funcionando ou não se tem. Nada de meio termo.

A agência criada para passar a afagar as ditas teles diz que está investigando as causas. Conversa! Não existem detetives dentro da agência e muito menos interesse em investigar qualquer coisa. Para quê mexer com a segunda maior empregadora do país e uma das maiores pagadoras de impostos? Deixa para lá, só foram 48 horas mesmo. A Ingrid ficou seis anos no cativeiro. Porque os paulistas não podem ficar dois dias sem Orkut e YouTube?

O possível é pouco, muito pouco. O correto não é o possível. Correto seria a verdadeira concorrência como vista nos países corretos. A falta de outras companhias, a falta do compartilhamento de redes e principalmente a falta de respeito com o cidadão fazem de nosso sistema telefônico e de Internet uma das maiores piadas da América Latina. Até mesmo países como México e Chile já descobriram a fórmula para resolver a questão. A mesma caneta Bic usada pelas autarquias públicas nesta semana poderia ser usada para colocar cinco, dez, cinquenta companhias na mesma área criando uma briga de preços, qualidade, serviços e atendimento corretos para o cidadão e mostrar efetivamente quem sabe fazer. Mas como a Mont Blanc repousa no escaninho do ex-repórter global que não tem interesse em nada mudar, ficamos a mercê do raro e do complexo advindos do velho continente, mira?

Neste momento mudo o dito popular “quem não tem competência não se estabelece”. Na verdade, quem não tem concorrência não precisa de competência e se estabelece.

Nas nuvens

terça-feira, 1 de julho de 2008 por Rafael Bucco

Faz um tempo, um termo saiu das fileiras acadêmicas e chegou de vez à web. Trata-se da Cloud computing, ou computação nas nuvens. Não é um conceito novo. Na verdade, quem assistiu a O Exterminador do Futuro 3 (aquele em que o Arnold Xumbrega sai atirando num cemitério, com um caixão a tira-colo - meu, que cena é essa?!?!), entende o que significa o termo.

As nuvens nada mais são que a Internet. E computação na Internet nada mais é que aproveitar toda a capacidade de rede de servidores que só a web tem para fazer tudo o que a humanidade, e os indivíduos que a constituem, precisa(m).

Quando você compra um netbook, por exemplo, que vem com pouca memória e poucos programas (e pouca tela, e pouco processamento, e pouco teclado… :-D) está pensando (ou deveria) em usar tudo o que a Internet oferece de graça. O armazenamento, o editor de textos, o editor de fotos e por aí vai. Você está pensando em cloud computing. Diante de um netbook, você está nas nuvens.

É um conceito ótimo, que sinaliza o futuro dos micros. Em primeiro lugar, mostra que PC vai ser algo sem valor. Isso mesmo: quem gastar os tubos comprando uma máquina, poderá ser chamado de trouxa daqui a meia dúzia de anos - ou um pouco mais. Tudo vai depender de servidores. Será mais provável que você tenha em sua casa um servidor com seus vídeos, músicas e backup de arquivos, com vários pontos de acesso – na sala de TV, no escritório, na tela da geladeira – do que um micro ultra-potente desperdiçado, usado para rodar uma planilha de Excel ao som dos Beatles.

Em segundo lugar, mostra que a web tem vida, e nós a energizamos com nossas vidas. Pode ser que um dia tenhamos despejado tantos dados ali, que o sistema de busca semântica do Twine compile tudo e descubra maneiras de subjugar a humanidade. Quem sabe? No Exterminador do Futuro 3 isso aconteceu em 2004. E James Bond está aí para provar que a ficção não acerta datas, mas faz boas previsões…

Rafael Bucco - jornalista, escritor, editor da plataforma de conteúdo sobre negócios ResultsON.com.br e criador do site de gadgets OverBits.com.br.

Marketing com força e inteligência

quarta-feira, 18 de junho de 2008 por Paulino Michelazzo

A Internet deu hoje mais uma mostra de seu poder de penetração e também do que o marketing bem feito é capaz de operar. A Fundação Mozilla bateu o recorde mundial de downloads de um mesmo software nas primeiras vinte e quatro horas de seu lançamento ou alguma coisa como a maior bilheteria da história do cinema. Foram quase 8 milhões e 600 mil downloads resultando em uma média acima de 5 mil downloads por minuto. A coisa foi tão grande que não escaparam as tradicionais piadas como o envio de um bolo pela turma da Microsoft para o Mozilla.

Mas de onde veio tanto poder? Como um software conseguiu mobilizar tanta gente em quase todos os países do mundo em torno de algo? Como é possível tal façanha sem gastar um único centavo? Simples: marketing bem feito.

Não é de hoje que a Internet mostra o contraponto ao marketing tradicional. Enquanto algumas empresas gastam milhões com grandes campanhas para seus produtos e serviços na mídia tradicional e esquecem da Internet (esquecem???), a marca mais valiosa do mundo (Google) não gasta um único centavo com TV, revistas ou jornais. Simplesmente seus 86 bilhões de dólares advém da força da Internet, de um produto bem feito e claro, de um marketing localizado e dentro de uma das máximas do dia-a-dia: falem bem, falem mal mas falem de mim.

O Firefox não foge a regra. Com um produto excepcional (vai dizer que não é), um marketing genial e focado na comunidade de usuários, ele mostra que o gasto com o tradicional não é obrigatório para uma marca crescer, mas sim inteligência, bom senso e ousadia para fazer aquilo que ninguém tinha pensado antes.

Será que este pode ser o pontapé para um novo boom no marketing digital?

Quem empaca a rede

terça-feira, 17 de junho de 2008 por Paulino Michelazzo

A Indonésia é um país interessante em todos os sentidos. A maior nação mulçumana da Terra, ela soca mais de 237 milhões de habitantes em um território composto por 17 mil ilhas que são conjuntamente um pouco maior que o estado do Amazonas. Além deste exercício de física, a Indonésia ainda é o país com o maior número de atividades vulcânicas do planeta e volta e meia é assolado por tufões e outros desastres naturais.

Mas mesmo com tudo isso, a Indonésia dá um show em nossa terra brasilis quando o assunto é telecomunicações. Lá você tem acesso à Internet em qualquer portinha da esquina (literalmente) por um preço extremamente baixo e quando o assunto é telefonia, a distância é ainda maior: a ligação DDI por mais cara que seja não custa mais de 80 centavos de dólar o minuto (para o Brasil, cerca de 54 centavos de dólar). O mesmo ocorre em países como Vietnã, Laos e Tailândia. Conexões bataras, serviços rápidos e deixemos a coisa fluir. Já no Brasil….

Tive a necessidade de mudar meu SoHo para São Paulo. Mesmo sendo paulistano do centro velho, não mais tenho o apreço que tinha pela capital da fumaça. A fumaça é muita hoje em dia e os carros me deixam atordoado. Mas para o bem de todos e felicidade geral da nação compradora de serviços de software, mudei. Minha primeira tarefa foi a solicitação de uma linha DSL para trabalhar. Para a compra, 1 gigabit de velocidade mas para funcionar parece um modem USRobotics de 28K; três dias de brigas com a companhia telefônica, discussões com atendentes robotizados que não sabem a diferença entre um teclado e um monitor e uma velocidade 75% abaixo do mínimo que prometem no serviço.

Nestes momentos penso como podemos crescer se nossa infra-estrutura é pífia e os serviços prestados conseguem ser piores que os de nações desconhecidas e longínquas. Perco eu, pequeno empresário desenvolvendor de software que não consigo atender meus clientes de forma competente, perde o cliente que precisa de um serviço e não tem, perde o funcionário do cliente porque se o cliente não vende, não recebe e perde o emprego, perde o país que não faz a espiral sócio-econômica andar. Quem ganha? Somente a companhia que tira daqui 13,7% de todo o faturamento mundial prestando aquilo que chamam de serviço mas que não passaria pelo crivo de nenhum órgão regulador decente em seu país de origem e muito menos pelos seus clientes do velho continente.

Enquanto isso, vamos empurrando com a barriga. Concorrência não existe, atendimento é sonho e lá se vão meus reais a juros astronômicos para as mãos de outros. Quem empaca a rede? Somos nós mesmos que não conseguimos nos desvincilhar deste DNA podre que nos acompanha há mais de cinco séculos. Mas quem sabe dia destes nos voltamos para Meca e pedimos para Maomé nos ajudar pelo menos a nos comunicar.

Cada vez mais conectados

sexta-feira, 13 de junho de 2008 por Stelleo Tolda

A web se apresenta cada vez mais como uma plataforma que une pessoas e faz com que uma gama enorme de serviços – antes do mundo físico – se transporte para a rede.

Uma nota no UOL Tecnologia trouxe alguns exemplos, como o site Teu Advogado, que presta consultoria sobre termos jurídicos, sem custo e em até 3 dias úteis. Acredito que essa iniciativa tenha duas formas de ganhar dinheiro: ou monetizam o site ou atraem os usuários com dúvidas para que virem possíveis clientes.

Outro exemplo é o site Meus 3 desejos, cujo mote é a colaboração, um dos pilares da web 2.0: o usuário se inscreve e depois faz 3 desejos. Outros usuários olham e vêem se podem ou não ajudar alguém.

Eu ainda acrescento a essa lista, a plataforma de comunicação Sociale e o MercadoSolidário, do MercadoLivre.

A Sociale une empresas e entidades que possuem necessidades de comunicação com profissionais que podem suprir estas necessidades. É uma plataforma que aproxima quem precisa de serviços de comunicação e quem tem uma verba específica e deseja contratá-los, num sistema de concorrência.

Já o nosso MercadoSolidário é uma plataforma que funciona nos mesmos moldes do MercadoLivre, só que de forma gratuita para organizações não-governamentais e sem fins lucrativos que desejem incrementar suas receitas. As ONGs se cadastram no site, nós as isentamos das tarifações, elas vendem o que quiserem e, o que for obtido, é totalmente delas.

Ou seja, estamos cada vez mais conectados e tudo o que pode ser transformado em bites e bytes, definitivamente o será.

Qual será a próxima invenção?

Veja mais web

Web ajuda a achar amor, tirar dúvidas jurídicas e até fazer terapia (Fonte UOL Tecnologia)

Quer namorar comigo?

quinta-feira, 12 de junho de 2008 por Paulino Michelazzo

Hoje é dia dos namorados aqui na terra brasilis. Nesta data o faturamento de floriculturas, restaurantes, lojas de presentes e claro, motéis, cresce como poucas datas do ano. Para empresários destes setores é também uma data de festa onde o tilitar das caixas registradoras se torna uma melodia digna de quinta sinfonia.

Mas e a Internet nesta onda? Alguns negócios pré-estabelecidos certamente vão faturar devido a vida corrida do dia-a-dia onde muitas vezes até aquele “suar frio” se torna mecânico ou com data e hora marcada. Profissionais de todos os tipos irão se aproveitar da comodidade da Internet para fazer seus pedidos de tudo que é produto a fim de agradar o(a) amado(a), pelo menos neste dia.

Mas nem tudo é um arco-íris neste mercado. Um problema crônico ainda está na integração site-atendimento-logística-entrega onde uma pequena falha pode acarretar dezenas de distúrbios dos mais variados tipos e, dentre eles, o famoso “esqueceu de novo”. Culpa de quem? Da administradora de cartões? Da empresa de logística? Ou do próprio empresário que subestimando a capacidade de penetração da grande rede acredita que só o site dá conta do recado. Não, é muito mais que isso. Precisa-se pensar desde a redundância de sistemas até a entrega na porta da pessoa. Ninguém quer ficar sem seu mimo, principalmente hoje.

Há pouco um novo cliente me procura desesperado pois seu sistema está sofrendo de um mal grave: SQL Injection que derruba sua aplicação a cada hora. Sem mais o que fazer ou para onde correr, me consulta esperando conseguir uma pílula azul para seu problema. Impossível. Uma aplicação com milhares de linhas de código feita por um único programador que não documentou nada decreta o veredicto: vai perder o dia dos namorados, o faturamento e se bobear, a namorada.

Triste, uma lição aprendeu: centenas de pessoas vendo e mexendo no código usando técnicas e padrões de desenvolvimento corretos, podem fazer a diferença. Neste momento entra em ação a coqueluche do momento: o software livre como opção factível para este (e outros) males da Internet. A explicação é simples: em sistemas modulares, um defeito encontrado é facilmente isolado e rapidamente contornado, o que não ocorrem com aplicações de outros tipos, sejam estas de uma empresa ou não (ou ainda acredita que um elefante branco voa?).

Para mim resta aproveitar o dia dos namorados com minha companheira longe dos computadores (não sou tão nerd assim) e aguardar a próxima semana onde o sistema começará a ser trocado. Na avaliação deste cliente, o que perdeu neste dia pagaria com folga a migração e não valerá a pena esperar pelo dia das crianças para então ficar chorando pelo pirulito que caiu no chão. É melhor amarrar logo.

A Internet dá poder ao usuário comum

quarta-feira, 11 de junho de 2008 por Manoel Netto

Não quis utilizar a palavra “povo” no título desse artigo porque sabemos que, apesar dos vários milhões de conectados - durante o Digital Age no ano passado, alguns palestrantes falaram em 18 milhões, outros em 25 milhões - ainda não podemos considerar como uma mídia de massa, como consideramos a TV (embora tenhamos mais celulares que TVs no Brasil). Não querendo confundir muito, atenhamo-nos ao fato de que a Internet dá poder para a pessoa comum.

Isso que chamamos de Web 2.0 nada mais é que uma tendência no uso da Internet, de técnicas e tecnologias que já estavam disponíveis há anos e muitas delas já eram utilizadas antes de serem chamadas dessa forma. E essa tendência é o reconhecimento do outro lado de nossa tela. Pensamos fora do quadrado, apesar de o utilizarmos cada vez mais. Sabemos que a Internet não é um ambiente dissociado da realidade, como alguns ainda a tratam, e que além de nós de rede somos efetivamente pessoas, iguais a qualquer outra.

Ao vislumbrarmos isso, após a euforia da novidade, quando o computador se torna mais um eletrodoméstico em casa, começamos a utilizar a Internet de forma muito mais social e interativa do que jamais havíamos usado. E isso nos dá poder, como seres sociais, como consumidores, geradores de conteúdo e formadores de opinião.

Que outro eletrodoméstico nos permite acesso simultâneo e sem fronteiras a outros milhões de consumidores de forma tão fácil quanto o computador? Antes dele, se você tinha um problema com um produto comprado - ou qualquer serviço, ou ataques aos seus direitos, o que seja - qual era a chance de outras pessoas saberem do seu problema, ou mesmo se envolverem nele, ou ouvir o outro lado? No máximo, se fosse algo muito, mas muito absurdo, você seria entrevistado por alguma TV e teria seu caso divulgado. Mas isso em casos extremos e até catastróficos. O computador ligado à Internet torna qualquer pessoa comum em potencial gerador de informação, de conteúdo, de ruído, reclamações, críticas que serão vistas e complementadas por outras pessoas em escala imprevisível.

Os blogs e a influência no consumo

Durante o evento do ano passada falou-se praticamente disso o tempo todo. Apesar de por um lado parecer uma repetição chata de um mesmo tema, ao avaliar direito vemos que as visões apresentadas foram de diferentes áreas, embora todas com a mesma conclusão. Todos os palestrantes falaram em blogs, que confirma-o como legítimo representante desse momento, e no seu poder de influência.

As pessoas comuns preferem acreditar numa resenha de um blog sobre determinado produto que de um grande site, isso não é novidade para nós, mas foi para muitos empresários e executivos presentes no evento. O poder da Cauda Longa foi citado algumas vezes e todos perceberam - embora alguns relutem em aceitar - que menos é mais, que mais valem 1000 blogs gerando 5 que 10 veículos gerando 50.

Sua empresa precisa ouvir o consumidor

Em uma das palestras, na sessão de perguntas, uma pessoa questionou se “dar ouvidos e estimular esse tipo de manifestação não acabaria gerando um consumidor tirano“. Ora, mas a tirania do consumidor não é plenamente aceitável, tendo em vista que ele é o patrão das empresas? Se você não adapta o seu produto, o consumidor não compra! Isso é muito simples, não adianta relutar. Se antes o consumidor apenas deixava de comprar e conversava sobre sua insatisfação com 20 amigos, agora ele fala para 20 milhões ao mesmo tempo e isso fica registrado para outros pesquisarem ad infinitum.

Mas se hoje é mais fácil para o consumidor reclamar, é igualmente fácil para a empresa monitorar essas reclamações e procurar sanar seus problemas e se comunicar com seus consumidores. A Internet possibilita uma gama de opções imensa que pode deixar a empresa muito mais próxima de seu cliente, e ele espera isso! Seu sucesso depende disso.

As 3 principais atitudes de uma empresa, que são danosas a sua marca são:

  1. não saber o que o seu consumidor pensa de sua marca;
  2. saber e não dar a mínima;
  3. não saber ouvir críticas ou reclamações, só elogios.

* Nota do autor: Esse texto foi publicado originalmente no Tecnocracia em 2007 e por achar bastante relacionado à proposta desse novo blog, resolvi replicá-lo aqui com mínimas alterações.