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Monopólio travestido de concorrência

sexta-feira, 4 de julho de 2008 por Paulino Michelazzo

Qualquer brasileiro com dois neurônios bons e um manco tem certeza que o processo de privatização das companhias telefônicas (as famosas teles) em nosso país foi um dos maiores engodos políticos e comerciais que já vivemos. Pagamos via BNDES para empresas estrangeiras manipularem dados e voz em nosso território sem criar uma efetiva concorrência que oferecesse opções para os usuários. Mudaram os donos mas a fedentina continuou a mesma (só que mais rápida).

Exemplo disso apresentou-se esta semana em São Paulo. O estado com maior PIB do país simplesmente foi removido do planeta Internet por um defeito “complexo e raro” ocorrido na Telefonica de España, aquela que detém o monopólio das telecomunicações do estado. Sem escrúpulos e principalmente sem respeito, a empresa desconversa sobre o problema que amordaçou não somente os pequenos e desamparados usuários domésticos, mas também o mesmo governo que graciosamente ofereceu a concessão à eles. Para abafar o caso, estão fazendo o possível para restabelecer as conexões e delegacias de polícia, serviços públicos, escolas e até mesmo poderosos serviços de transações bancárias tiveram seu período de nostalgia reavivando canetas Bic e formulários xerocados. Nem mesmo em países comunistas tal prática é possível ser imaginada. Lá, ou se tem funcionando ou não se tem. Nada de meio termo.

A agência criada para passar a afagar as ditas teles diz que está investigando as causas. Conversa! Não existem detetives dentro da agência e muito menos interesse em investigar qualquer coisa. Para quê mexer com a segunda maior empregadora do país e uma das maiores pagadoras de impostos? Deixa para lá, só foram 48 horas mesmo. A Ingrid ficou seis anos no cativeiro. Porque os paulistas não podem ficar dois dias sem Orkut e YouTube?

O possível é pouco, muito pouco. O correto não é o possível. Correto seria a verdadeira concorrência como vista nos países corretos. A falta de outras companhias, a falta do compartilhamento de redes e principalmente a falta de respeito com o cidadão fazem de nosso sistema telefônico e de Internet uma das maiores piadas da América Latina. Até mesmo países como México e Chile já descobriram a fórmula para resolver a questão. A mesma caneta Bic usada pelas autarquias públicas nesta semana poderia ser usada para colocar cinco, dez, cinquenta companhias na mesma área criando uma briga de preços, qualidade, serviços e atendimento corretos para o cidadão e mostrar efetivamente quem sabe fazer. Mas como a Mont Blanc repousa no escaninho do ex-repórter global que não tem interesse em nada mudar, ficamos a mercê do raro e do complexo advindos do velho continente, mira?

Neste momento mudo o dito popular “quem não tem competência não se estabelece”. Na verdade, quem não tem concorrência não precisa de competência e se estabelece.

Happy sunday

domingo, 29 de junho de 2008 por Paulino Michelazzo

Estágio - Analista de Atendimento de Suporte

- Curso superior em Andamento (Informática, Ciência da Computação, Análise de Sistemas ou áreas afins);
- Conhecimentos em TCP/IP, produtos Microsoft como: Active Directory, Exchange, ISA, redes corporativas;
- Desejável certificação MCP;
- 2 anos de experiência com Help Desk ou Administração de Redes;
- Valor Bolsa auxílio: R4 500 a R$ 700;
- Benefícios: Vale refeição, Vale transporte.

A historinha:

- Vocês tem uma vaga para estágio não é?
- Sim, temos sim
- Legal, onde está a ficha de inscrição para que possa me inscrever?
- Ficha de inscrição? Você tem que mandar um curriculum..
- Curriculum? Mas a vaga não é para estágio?
- Sim, é, mas e daí?
- Bem, é que pensei que estágio é aquele período onde você vai aprender na prática aquilo que estudou na teoria na faculdade…
- Ahhh, não não, aqui é diferente. Você precisa ter dois anos de experiência em help-desk ou administração de redes.
- Dois anos de experiência? Mas se eu tenho dois anos de experiência, como posso fazer estágio? Estágio é quando não se tem experiência prática. Pelo menos é o que está escrito lá no meu dicionário de língua portuguesa.
- É por isso que você não está entendendo. Somos uma empresa global e não usamos o português. Para nós, estagiário tem que ter experiência.
- Mas quando já se tem dois anos de experiência já se é aquilo que chamam de “júnior” não é?
- Não, para nós não. Ainda é estagiário.
- Hmmm, e precisa de mais alguma coisa?
- Nada, somente alguns conhecimentos de protocolo TCP-IP, sistemas operacionais windows, hardware e, se possível, ser MCP.
- MCP? Acho que já ouvi falar nisso. É aquela indicação “Mas Como Pode” ser tão burro para aceitar não é? Obrigado, eu estou procurando estágio somente.

Obs: a vaga é verdadeira e foi postada em fórum na semana passada.

Classe C

sexta-feira, 20 de junho de 2008 por Cezar Calligaris

Depois de muito tempo vendida como o meio de comunicação com as classes A e B, a internet está chegando à classe C. Segundo a consultoria IDC, são vendidos 21,5 computadores por minuto no Brasil, imagino que boa parte deles seja para essa leva de novos consumidores.

Está todo mundo de olho nesse novo público. Para os sites de e-commerce, por exemplo, esse aumento de pessoas tem um grande potencial de vendas.

E em relação à comunicação? Será que estamos preparados para a classe C? Será que sabemos o que eles querem? Por onde eles navegam? Que redes sociais usam? Que rádio online escutam? Que e-mail grátis usam?

Quando começamos a explorar de forma correta o potencial da internet para as classes A e B, aparece a classe C. Preparado para aprender mais?

Quem empaca a rede

terça-feira, 17 de junho de 2008 por Paulino Michelazzo

A Indonésia é um país interessante em todos os sentidos. A maior nação mulçumana da Terra, ela soca mais de 237 milhões de habitantes em um território composto por 17 mil ilhas que são conjuntamente um pouco maior que o estado do Amazonas. Além deste exercício de física, a Indonésia ainda é o país com o maior número de atividades vulcânicas do planeta e volta e meia é assolado por tufões e outros desastres naturais.

Mas mesmo com tudo isso, a Indonésia dá um show em nossa terra brasilis quando o assunto é telecomunicações. Lá você tem acesso à Internet em qualquer portinha da esquina (literalmente) por um preço extremamente baixo e quando o assunto é telefonia, a distância é ainda maior: a ligação DDI por mais cara que seja não custa mais de 80 centavos de dólar o minuto (para o Brasil, cerca de 54 centavos de dólar). O mesmo ocorre em países como Vietnã, Laos e Tailândia. Conexões bataras, serviços rápidos e deixemos a coisa fluir. Já no Brasil….

Tive a necessidade de mudar meu SoHo para São Paulo. Mesmo sendo paulistano do centro velho, não mais tenho o apreço que tinha pela capital da fumaça. A fumaça é muita hoje em dia e os carros me deixam atordoado. Mas para o bem de todos e felicidade geral da nação compradora de serviços de software, mudei. Minha primeira tarefa foi a solicitação de uma linha DSL para trabalhar. Para a compra, 1 gigabit de velocidade mas para funcionar parece um modem USRobotics de 28K; três dias de brigas com a companhia telefônica, discussões com atendentes robotizados que não sabem a diferença entre um teclado e um monitor e uma velocidade 75% abaixo do mínimo que prometem no serviço.

Nestes momentos penso como podemos crescer se nossa infra-estrutura é pífia e os serviços prestados conseguem ser piores que os de nações desconhecidas e longínquas. Perco eu, pequeno empresário desenvolvendor de software que não consigo atender meus clientes de forma competente, perde o cliente que precisa de um serviço e não tem, perde o funcionário do cliente porque se o cliente não vende, não recebe e perde o emprego, perde o país que não faz a espiral sócio-econômica andar. Quem ganha? Somente a companhia que tira daqui 13,7% de todo o faturamento mundial prestando aquilo que chamam de serviço mas que não passaria pelo crivo de nenhum órgão regulador decente em seu país de origem e muito menos pelos seus clientes do velho continente.

Enquanto isso, vamos empurrando com a barriga. Concorrência não existe, atendimento é sonho e lá se vão meus reais a juros astronômicos para as mãos de outros. Quem empaca a rede? Somos nós mesmos que não conseguimos nos desvincilhar deste DNA podre que nos acompanha há mais de cinco séculos. Mas quem sabe dia destes nos voltamos para Meca e pedimos para Maomé nos ajudar pelo menos a nos comunicar.

Neto @ Cannes = Cannes08

sexta-feira, 13 de junho de 2008 por Tiago Baeta

Nosso amigo Mentor Muniz Netto, autor deste livro e jurado em Cannes na categoria Promo, tem feito uma cobertura excelente do festival diretamente dos bastidores do juri e vale a pena acompanharmos.

Quem quiser nos acompanhar, Cannes08.

Abraços!

Quer namorar comigo?

quinta-feira, 12 de junho de 2008 por Paulino Michelazzo

Hoje é dia dos namorados aqui na terra brasilis. Nesta data o faturamento de floriculturas, restaurantes, lojas de presentes e claro, motéis, cresce como poucas datas do ano. Para empresários destes setores é também uma data de festa onde o tilitar das caixas registradoras se torna uma melodia digna de quinta sinfonia.

Mas e a Internet nesta onda? Alguns negócios pré-estabelecidos certamente vão faturar devido a vida corrida do dia-a-dia onde muitas vezes até aquele “suar frio” se torna mecânico ou com data e hora marcada. Profissionais de todos os tipos irão se aproveitar da comodidade da Internet para fazer seus pedidos de tudo que é produto a fim de agradar o(a) amado(a), pelo menos neste dia.

Mas nem tudo é um arco-íris neste mercado. Um problema crônico ainda está na integração site-atendimento-logística-entrega onde uma pequena falha pode acarretar dezenas de distúrbios dos mais variados tipos e, dentre eles, o famoso “esqueceu de novo”. Culpa de quem? Da administradora de cartões? Da empresa de logística? Ou do próprio empresário que subestimando a capacidade de penetração da grande rede acredita que só o site dá conta do recado. Não, é muito mais que isso. Precisa-se pensar desde a redundância de sistemas até a entrega na porta da pessoa. Ninguém quer ficar sem seu mimo, principalmente hoje.

Há pouco um novo cliente me procura desesperado pois seu sistema está sofrendo de um mal grave: SQL Injection que derruba sua aplicação a cada hora. Sem mais o que fazer ou para onde correr, me consulta esperando conseguir uma pílula azul para seu problema. Impossível. Uma aplicação com milhares de linhas de código feita por um único programador que não documentou nada decreta o veredicto: vai perder o dia dos namorados, o faturamento e se bobear, a namorada.

Triste, uma lição aprendeu: centenas de pessoas vendo e mexendo no código usando técnicas e padrões de desenvolvimento corretos, podem fazer a diferença. Neste momento entra em ação a coqueluche do momento: o software livre como opção factível para este (e outros) males da Internet. A explicação é simples: em sistemas modulares, um defeito encontrado é facilmente isolado e rapidamente contornado, o que não ocorrem com aplicações de outros tipos, sejam estas de uma empresa ou não (ou ainda acredita que um elefante branco voa?).

Para mim resta aproveitar o dia dos namorados com minha companheira longe dos computadores (não sou tão nerd assim) e aguardar a próxima semana onde o sistema começará a ser trocado. Na avaliação deste cliente, o que perdeu neste dia pagaria com folga a migração e não valerá a pena esperar pelo dia das crianças para então ficar chorando pelo pirulito que caiu no chão. É melhor amarrar logo.

Entre a tendência e a solução

quinta-feira, 12 de junho de 2008 por Mauro Amaral

Em meio a platéia do evento da moda, apresentando o planejamento da campanha mais genial de todos os tempos da última semana, ou prospectando clientes que vão trazer oxigênio renovado a sua empresa, uma questão ocorre àqueles que não estão neste mundo digital a passeio: como afinal, encurtar o caminho entre a tendência tão linda e charmosa e a solução, esta austera senhoria que nos cobra resultados?

Sim, porque alugamos as tendências da moda para nos fazermos de bonitos e inteligentes e, projeto no ar, vem a cobrança dos resultados: quantos cliques, quantas conversões, quantos comentários? Posso sugerir alguns passos?

Primeiro Passo: você a faz nascer

Para efeito deste artigo, vamos entender que você sacou no ar, filtrando aí por sua experiência, uma tendência, uma linha de ação, um pacote de novidades que pode dar um toque diferencial a sua maneira de encarar o mundo digital. É o momento mágico, onde você se considera um dos escolhidos.

Segundo passo: ela não morre no berçário

É alto o índice de mortalidade infantil das tendências. Muitas delas não chegam a completar uma semana de vida e são rebatizadas, o que era 2.0 vira 3.0 sem nunca ter saído do lugar. O “mais indicado para seu negócio” em dois meses pode se transformar no “nunca faço isso com sua empresa”.

A única UTI neo-natal para este tipo de entidade é o bom-senso. Se você está no ramo, é melhor ter bom senso desde criancinha. Aprenda a separar mania de moda, novidade de briefing, revolução de evolução e por aí vai. A chance aumenta se você conseguir superar este período crítico de pós-nascimento

Terceiro passo: educa a criança para ter um sotaque local

É fundamental que você eduque sua descoberta com o sotaque de quem vai consumi-la. Sim, o seu consumidor (usuário, assinante, cliente…) é um ser mal-acostumado a ter tudo na mão, a qualquer hora e…pasmem…até de graça. É o cenário Freemium que a todos nos cerca.

Portanto, ao trabalhar sua idéia, dê a ela uma cara tão familiar que você correrá o risco de receber notificações de paternidade, pedido de exames de DNA, autoria etc etc.

Quarto passo: arregaça as mangas e a faz sair de casa

Muitas vezes você vai parir e outro criar. Não é raro. Até porque num mundo de bits, o conhecimento fica mais forte quando compartilhado. Em outras ocasiões, você faz nascer, tem o bom senso de fazê-la crescer, educa e consegue frutificar na tendência que você tão bem identificou, soluções memoráveis.

É de novo o momento mágico. Um clico virtuoso. O Arquiteto do Impossível, que não joga dados, dando a você a possibilidade de ser um ajudante temporário, quase um Jim Carey, gritando numa rua semi-deserta: I Got the Power!

Mas aí o evento acaba. Novas tendências passam a sua frente…e tudo recomeça.

OBS: Este você encontra lá no www.contemconteudo.org. É mais ou menos a linha que seguirei por aqui.