Arquivo da Categoria ‘Arquitetura de Informação’

Armazenamento social

sexta-feira, 26 de setembro de 2008 por Stelleo Tolda

A expressão  “Cloud computing” vem se popularizando nos últimos tempos. Uma das áreas que ganhou com esse conceito de ubiqüidade e computação remota foi a de armazenamento online. Sobretudo se pensarmos a questão do back up de dados.

Os HDs externos, os pen drives, os CDs, disquetes e afins ganham um poderoso aliado:  o armazenamento online que dispensa todos esses aparatos.

Um dos serviços de armazenamento online que me chamou a atenção foi Wuala. Um artigo do Economist diferencia o Wuala pelo fato de que a maioria das empresas que presta esse serviço se utiliza de servidores centralizados. O problema da nuvem é justamente quando os servidores caem.  A beleza do serviço Wuala da empresa Caleido está em conseguir mais confiabilidade usando o que eles chamam de “social online storage” ou armazenamento online social (por falta de um termo melhor, como já havia dito Roberto Cassano, que acredita que o termo social remete a causas humanitárias e sociais).

O desafio do Wuala é minimizar o número de cópias do mesmo arquivo que ocupam banda e espaço nos computadores. A solução dos idealizadores então é quebrar os arquivos em “pedaços” que podem ser distribuídos nos computadores participantes e que depois são reconstruídos para acesso.

Detalhes mais técnicos sobre o Wuala podem ser acessados no próprio site: http://wua.la/ ou na matéria do Economist (http://www.economist.com/daily/news/displaystory.cfm?story_id=12081445&fsrc=nwl).

As vantagens: você sempre terá os seus arquivos ainda que não disponha de seu PC ou se algo acontecer com ele, a qualquer momento e de qualquer lugar do mundo. Compartilhamento de arquivos é também outra vantagem, uma vez que é possível escolher quem pode ter acesso a que tipos de arquivos.

Enfim, o sentido de comunidade pode trazer benefícios para os usuários comuns até mesmo no armazenamento de arquivos…

Veja mais na web

Thanks for the memory (Fonte The Economist)

Wuala

Cloud Computing (Fonte Coworkers)

Fazendo a lição de casa

sexta-feira, 15 de agosto de 2008 por Paulino Michelazzo

Um grande website de vendas de ingressos para shows e eventos passou por um fiasco na semana da bossa nova em São Paulo com problemas que foram desde a não disponibilidade do serviço na Internet até a falta de tato com o usuário de seus serviços. Acostumados com um tráfego linear durante todo o tempo, em um repentino “boom” de acessos o website entrou em colapso deixando centenas de pessoas que queriam adquirir ingressos a míngua. Diante disso fica a pergunta: até quanto é possível mensurar cargas atípicas e o que fazer como contingência nestes casos? A resposta é: planejamento e lição de casa.

A cada dia mais e mais facilidades estão disponíveis na Internet. Desde serviços públicos até a aquisição de bens e serviços, tudo pode ser encontrado na grande rede de uma forma ou de outra. Muitas destas incursões no mundo digital são realizadas sem critérios, sem planejamento e pior que isso, sem testes. Este mix gera frustração para o usuário que precisa ou deseja ganhar tempo usando uma ferramenta e perda monetária para o fornecedor. Um bom exemplo é o caso de uma prefeitura do interior de São Paulo que possui um sistema de emissão de guias de recolhimento de impostos que contém um erro de uma única barra (/) em seu código, impedindo o contribuinte de emitir e imprimir a guia. Como resultado desta barra equivocada, impostos deixam de ser pagos por aqueles que não querem ou não podem ir até a repartição pública. Uma simples barra que foi lá esquecida por alguém que desenvolveu e não testou o que fez gerando perda monetária e frustração. Uma simples barra…

Mas nem só de erros de programação vive a web. Existem também aqueles causados pelo excesso de confiança que são como relacionamentos amorosos. Confia-se tanto no parceiro que são esquecidas regras básicas de convívio e manutenção do que foi construído, até o momento que esta confiança é traída e a lamentação torna-se onipresente (como bem relatado no artigo de Juliana Padron). E este foi o caso desta semana; excesso de confiança no sistema acarretou centenas de reclamações de seus usuários, perda financeira para a empresa e principalmente a credibilidade arranhada. Depois dessa, quem vai acreditar que é possível ter tranquilidade na aquisição de ingressos para grande eventos?

Claro, erros acontecem em todos os sistemas e até estamos acostumados com eles. Mas existem erros e “erros”. Numa função pouco usada ou que somente em determinadas circunstâncias é ativado, pode ser “aceito” tal como os bug’s de navegadores que permitem alguns usos indevidos sobre formas pouco convencionais, mas erros no meio de um fluxo constantemente usado são aqueles considerados inadmissíveis em todos os sentidos.

Para contornar situações como estas somente o planejamento e a velha “lição de casa”. O planejamento é usado para tentar mensurar o maior número de variáveis possíveis do sistema, inclusive aquelas que são consideradas atípicas tais como acessos em alta escala até a pane dos servidores. A lição de casa nada mais é que testar estas variáveis e criar planos de contingência no intuito de minimizar os efeitos colaterais advindos deste cenário catastrófico. Pecando nestes dois pontos tem-se uma ponte de cordas velhas sobre um desfiladeiro; pode não cair agora mas cairá algum dia.

Dicas? Inúmeras. Mas principalmente o bom senso e o real trato com os usuários. Deixar uma mensagem de “serviço indisponível” certamente não é a melhor forma de dizer ao usuário que o sistema está manco. Ser franco, admitir o erro e tentar da melhor e mais rápida forma contorná-lo (onde está a contingência?) são as ferramentas existentes no momento do caos. Se não tem solução, solucionado está mas este não é o provérbio que deve ser adotado a ferro e fogo na Internet. Até descobri-se que não existe solução, a busca por ele deve ser incansável, mesmo que seja para ver e ouvir João Gilberto.

Nas nuvens

terça-feira, 1 de julho de 2008 por Rafael Bucco

Faz um tempo, um termo saiu das fileiras acadêmicas e chegou de vez à web. Trata-se da Cloud computing, ou computação nas nuvens. Não é um conceito novo. Na verdade, quem assistiu a O Exterminador do Futuro 3 (aquele em que o Arnold Xumbrega sai atirando num cemitério, com um caixão a tira-colo - meu, que cena é essa?!?!), entende o que significa o termo.

As nuvens nada mais são que a Internet. E computação na Internet nada mais é que aproveitar toda a capacidade de rede de servidores que só a web tem para fazer tudo o que a humanidade, e os indivíduos que a constituem, precisa(m).

Quando você compra um netbook, por exemplo, que vem com pouca memória e poucos programas (e pouca tela, e pouco processamento, e pouco teclado… :-D) está pensando (ou deveria) em usar tudo o que a Internet oferece de graça. O armazenamento, o editor de textos, o editor de fotos e por aí vai. Você está pensando em cloud computing. Diante de um netbook, você está nas nuvens.

É um conceito ótimo, que sinaliza o futuro dos micros. Em primeiro lugar, mostra que PC vai ser algo sem valor. Isso mesmo: quem gastar os tubos comprando uma máquina, poderá ser chamado de trouxa daqui a meia dúzia de anos - ou um pouco mais. Tudo vai depender de servidores. Será mais provável que você tenha em sua casa um servidor com seus vídeos, músicas e backup de arquivos, com vários pontos de acesso – na sala de TV, no escritório, na tela da geladeira – do que um micro ultra-potente desperdiçado, usado para rodar uma planilha de Excel ao som dos Beatles.

Em segundo lugar, mostra que a web tem vida, e nós a energizamos com nossas vidas. Pode ser que um dia tenhamos despejado tantos dados ali, que o sistema de busca semântica do Twine compile tudo e descubra maneiras de subjugar a humanidade. Quem sabe? No Exterminador do Futuro 3 isso aconteceu em 2004. E James Bond está aí para provar que a ficção não acerta datas, mas faz boas previsões…

Rafael Bucco - jornalista, escritor, editor da plataforma de conteúdo sobre negócios ResultsON.com.br e criador do site de gadgets OverBits.com.br.

Quer namorar comigo?

quinta-feira, 12 de junho de 2008 por Paulino Michelazzo

Hoje é dia dos namorados aqui na terra brasilis. Nesta data o faturamento de floriculturas, restaurantes, lojas de presentes e claro, motéis, cresce como poucas datas do ano. Para empresários destes setores é também uma data de festa onde o tilitar das caixas registradoras se torna uma melodia digna de quinta sinfonia.

Mas e a Internet nesta onda? Alguns negócios pré-estabelecidos certamente vão faturar devido a vida corrida do dia-a-dia onde muitas vezes até aquele “suar frio” se torna mecânico ou com data e hora marcada. Profissionais de todos os tipos irão se aproveitar da comodidade da Internet para fazer seus pedidos de tudo que é produto a fim de agradar o(a) amado(a), pelo menos neste dia.

Mas nem tudo é um arco-íris neste mercado. Um problema crônico ainda está na integração site-atendimento-logística-entrega onde uma pequena falha pode acarretar dezenas de distúrbios dos mais variados tipos e, dentre eles, o famoso “esqueceu de novo”. Culpa de quem? Da administradora de cartões? Da empresa de logística? Ou do próprio empresário que subestimando a capacidade de penetração da grande rede acredita que só o site dá conta do recado. Não, é muito mais que isso. Precisa-se pensar desde a redundância de sistemas até a entrega na porta da pessoa. Ninguém quer ficar sem seu mimo, principalmente hoje.

Há pouco um novo cliente me procura desesperado pois seu sistema está sofrendo de um mal grave: SQL Injection que derruba sua aplicação a cada hora. Sem mais o que fazer ou para onde correr, me consulta esperando conseguir uma pílula azul para seu problema. Impossível. Uma aplicação com milhares de linhas de código feita por um único programador que não documentou nada decreta o veredicto: vai perder o dia dos namorados, o faturamento e se bobear, a namorada.

Triste, uma lição aprendeu: centenas de pessoas vendo e mexendo no código usando técnicas e padrões de desenvolvimento corretos, podem fazer a diferença. Neste momento entra em ação a coqueluche do momento: o software livre como opção factível para este (e outros) males da Internet. A explicação é simples: em sistemas modulares, um defeito encontrado é facilmente isolado e rapidamente contornado, o que não ocorrem com aplicações de outros tipos, sejam estas de uma empresa ou não (ou ainda acredita que um elefante branco voa?).

Para mim resta aproveitar o dia dos namorados com minha companheira longe dos computadores (não sou tão nerd assim) e aguardar a próxima semana onde o sistema começará a ser trocado. Na avaliação deste cliente, o que perdeu neste dia pagaria com folga a migração e não valerá a pena esperar pelo dia das crianças para então ficar chorando pelo pirulito que caiu no chão. É melhor amarrar logo.