Arquivo de julho de 2008

Blog, liberdade e fraternidade

sexta-feira, 4 de julho de 2008 por Rafael Bucco

Mais uma vez pipocou na web uma discussão sobre blogs x jornalismo x jabá. E fiquei re-re-re-matutando toda a discussão, porque penso que um blog pode ser qualquer coisa, INCLUSIVE uma ferramenta jornalística, e quando for tal coisa, que o autor deixe isso CLARO e esclareça que segue a ética jornalística. Mas o blog não precisa ser isso. É uma ferramenta de discussão imediata ou de vazão AUTORAL (como este). Todo mundo se revela, dá opiniões no blog, e isso é pessoal.

Jornalismo também se nutre de agilidade, mas em forma de empresa. E como empresa, tem um horizonte a sustentar no longo prazo com preceitos éticos necessários para tornar o produto algo reconhecível pelo leitor, que permitam a qualquer um entender imediatamente que aquilo é uma reportagem e que teve um processo de confecção padronizado. A clareza em ser jornalismo faz do jornal (ou site ou blog do jornal) uma plataforma reconhecível. E antes que vc diga que há autores no jornalismo, vou concordar, acrescentando, porém, que esses autores agem como empresa, não mudam, não podem mudar, traçam uma linha de trabalho e a seguem – se modernizando, sim, mas sem mudanças em sua ética de trabalho. Quando há mudança dessa ordem, são massacrados.

Já o blog, como qualquer obra autoral, depende das flutuações do autor. O criador pode apagar um post quando se arrepender, falar de bichos de pelúcia em um dia e de sexo no outro, pode comentar um conto do Guimarães Rosa, ou avisar todo mundo que o escritor está fazendo 100 anos. O que é publicado e como é publicado depende unicamente do autor e de critérios íntimos de performance. Por isso, é uma produção mais humana, e por isso também é tão variada e capaz de retratar diferentes caráteres.

Isso garante criatividade, mas não garante perenidade. Os leitores passam pelo blog. Ficam caso se identifiquem com o blogueiro, suas idéias, comportamento, pregação. Como obra autoral, o consumo do blog se confunde com fruição. Agora, se a intenção do autor é virar empresa, precisa definir uma ética de trabalho (no sentido cabeçudo, Webberiano, da expressão) e deixar claro sob quais regras trabalha. Assim ninguém se engana, ninguém se ofende. E quem sabe, finalmente, as pessoas param com esse bate-boca sem direção e passem a discutir de forma mais sóbria como pagar merecidamente o autor de um blog.

Pseudo liberdade de expressão

sexta-feira, 4 de julho de 2008 por Stelleo Tolda

Segundo relatório da World Information Acess (WIA, Acesso Mundial à Informação), cada vez mais blogueiros foram presos por expor abusos ou críticas sobre governos.

Os países que mais reprimem os blogueiros são China, Egito e Irã e os temas mais polêmicos são corrupção no governo, abuso dos direitos humanos ou repressão a protestos. Supõem-se ainda que o número que ultrapassava os 64 blogueiros, desde 2003, seja muito maior, uma vez que é difícil verificar se foi realizada uma prisão.

Os números de 2007 foram triplicados em relação a 2006, o que se explica pelo crescente aumento dos blogs como ferramentas de expressão e de pressão política.

Só o fato da China restringir o acesso a páginas da internet já evidencia a política de expressão praticada no país e os cuidados que um blogueiro deve ter em países como este.

São dados como este que nos indicam a pseudo liberdade de expressão nos dias de hoje…

Blogs podem demitir pessoas, criar mal-entendidos corporativos e pessoais e ainda expor indivíduos e corporações. Ainda assim, são populares e ganham, a cada dia, as preferências dos internautas. Vai se arriscar? ;-)

Veja mais na web

Aumenta prisão de blogueiros em todo o mundo (Fonte AdNews/BBC Brasil)

Força ao jornalismo cidadão e aos blogueiros (Fonte MLOG)

Monopólio travestido de concorrência

sexta-feira, 4 de julho de 2008 por Paulino Michelazzo

Qualquer brasileiro com dois neurônios bons e um manco tem certeza que o processo de privatização das companhias telefônicas (as famosas teles) em nosso país foi um dos maiores engodos políticos e comerciais que já vivemos. Pagamos via BNDES para empresas estrangeiras manipularem dados e voz em nosso território sem criar uma efetiva concorrência que oferecesse opções para os usuários. Mudaram os donos mas a fedentina continuou a mesma (só que mais rápida).

Exemplo disso apresentou-se esta semana em São Paulo. O estado com maior PIB do país simplesmente foi removido do planeta Internet por um defeito “complexo e raro” ocorrido na Telefonica de España, aquela que detém o monopólio das telecomunicações do estado. Sem escrúpulos e principalmente sem respeito, a empresa desconversa sobre o problema que amordaçou não somente os pequenos e desamparados usuários domésticos, mas também o mesmo governo que graciosamente ofereceu a concessão à eles. Para abafar o caso, estão fazendo o possível para restabelecer as conexões e delegacias de polícia, serviços públicos, escolas e até mesmo poderosos serviços de transações bancárias tiveram seu período de nostalgia reavivando canetas Bic e formulários xerocados. Nem mesmo em países comunistas tal prática é possível ser imaginada. Lá, ou se tem funcionando ou não se tem. Nada de meio termo.

A agência criada para passar a afagar as ditas teles diz que está investigando as causas. Conversa! Não existem detetives dentro da agência e muito menos interesse em investigar qualquer coisa. Para quê mexer com a segunda maior empregadora do país e uma das maiores pagadoras de impostos? Deixa para lá, só foram 48 horas mesmo. A Ingrid ficou seis anos no cativeiro. Porque os paulistas não podem ficar dois dias sem Orkut e YouTube?

O possível é pouco, muito pouco. O correto não é o possível. Correto seria a verdadeira concorrência como vista nos países corretos. A falta de outras companhias, a falta do compartilhamento de redes e principalmente a falta de respeito com o cidadão fazem de nosso sistema telefônico e de Internet uma das maiores piadas da América Latina. Até mesmo países como México e Chile já descobriram a fórmula para resolver a questão. A mesma caneta Bic usada pelas autarquias públicas nesta semana poderia ser usada para colocar cinco, dez, cinquenta companhias na mesma área criando uma briga de preços, qualidade, serviços e atendimento corretos para o cidadão e mostrar efetivamente quem sabe fazer. Mas como a Mont Blanc repousa no escaninho do ex-repórter global que não tem interesse em nada mudar, ficamos a mercê do raro e do complexo advindos do velho continente, mira?

Neste momento mudo o dito popular “quem não tem competência não se estabelece”. Na verdade, quem não tem concorrência não precisa de competência e se estabelece.

Alpha.Beta.Loves You.Loves You More

quinta-feira, 3 de julho de 2008 por Leandro Vieira

O desenvolvimento de software é identificado por suas versões. Elas podem ser nomeadas e representam um estágio de desenvolvimento.

No estágio de desenvolvimento em que nos encontramos, as versões de softwares podem ser subjetivas. Tal subjetividade é relativa a aqueles que estão por trás da interface que representa o software e por aqueles que ficam diante dela, que faz uso.

As versões Alpha e Beta são comuns e representam o estágio de desenvolvimento e o de testes, respectivamente. Empresas inteligentes e com visões estratégicas colocam o software em contato com seus mercados-alvo já nessas versões, uma vez que os feedbacks dos usuários irão nortear o próximo passo.

A opinião dos usuários é tão importante que muitos softwares se estabelecem numa versão denominada como Beta perpétuo. Afinal, avaliações de usuários são consideráveis e um software é passível de adaptações, correções e melhorias. Os usuários agradecem.

A utilização do Beta perpétuo deve fazer sentido para a equipe de desenvolvimento e para os usuários. Logo, faz mais sentido as versões Loves You e Loves You More.

Usuários amam a equipe de desenvolvimento que respondem a seus feedbacks com considerações a respeito do recurso avaliado. E a equipe ama seus usuários mais ainda por sua essencial contribuição.

Loves You e Loves You More são versões de software que criam um ciclo de relacionamento contínuo entre a equipe de desenvolvimento e seus usuários. No entanto, essas versões são subjetivas e adaptáveis ao seu contexto estratégico. Mais considere o uso de forma significativa e relevante para ambas as partes.

Nas nuvens

terça-feira, 1 de julho de 2008 por Rafael Bucco

Faz um tempo, um termo saiu das fileiras acadêmicas e chegou de vez à web. Trata-se da Cloud computing, ou computação nas nuvens. Não é um conceito novo. Na verdade, quem assistiu a O Exterminador do Futuro 3 (aquele em que o Arnold Xumbrega sai atirando num cemitério, com um caixão a tira-colo - meu, que cena é essa?!?!), entende o que significa o termo.

As nuvens nada mais são que a Internet. E computação na Internet nada mais é que aproveitar toda a capacidade de rede de servidores que só a web tem para fazer tudo o que a humanidade, e os indivíduos que a constituem, precisa(m).

Quando você compra um netbook, por exemplo, que vem com pouca memória e poucos programas (e pouca tela, e pouco processamento, e pouco teclado… :-D) está pensando (ou deveria) em usar tudo o que a Internet oferece de graça. O armazenamento, o editor de textos, o editor de fotos e por aí vai. Você está pensando em cloud computing. Diante de um netbook, você está nas nuvens.

É um conceito ótimo, que sinaliza o futuro dos micros. Em primeiro lugar, mostra que PC vai ser algo sem valor. Isso mesmo: quem gastar os tubos comprando uma máquina, poderá ser chamado de trouxa daqui a meia dúzia de anos - ou um pouco mais. Tudo vai depender de servidores. Será mais provável que você tenha em sua casa um servidor com seus vídeos, músicas e backup de arquivos, com vários pontos de acesso – na sala de TV, no escritório, na tela da geladeira – do que um micro ultra-potente desperdiçado, usado para rodar uma planilha de Excel ao som dos Beatles.

Em segundo lugar, mostra que a web tem vida, e nós a energizamos com nossas vidas. Pode ser que um dia tenhamos despejado tantos dados ali, que o sistema de busca semântica do Twine compile tudo e descubra maneiras de subjugar a humanidade. Quem sabe? No Exterminador do Futuro 3 isso aconteceu em 2004. E James Bond está aí para provar que a ficção não acerta datas, mas faz boas previsões…

Rafael Bucco - jornalista, escritor, editor da plataforma de conteúdo sobre negócios ResultsON.com.br e criador do site de gadgets OverBits.com.br.