Você gosta mesmo é de Digital Trash!

16 de junho de 2009 por Ana Amélia Erthal

Imagine que você está na sala de sua casa, sentando confortavelmente no seu sofá. Alguém abre a porta, entra e despeja um enorme cesto cheio de lixo na sua frente. Você permitiria? Se você não permite que joguem lixo na sua casa, porque permitem que joguem lixo na sua mente? Não faz nenhum sentido você estar cercado por um universo pan-midiático - leia: tv, games, internet, blogs, e-mails, gtalk, msn, twitter, rss, rfids, rádio, jornais, revistas etc. - para estar apenas e simplesmente “antenado” em tudo o que acontece. Filtre e diga realmente o que disso tudo faz você pensar. Esse post não é uma crítica a quem não pensa, mas é uma crítica ao que não faz pensar. Há programas, conteúdos e coisas que te divertem. Outras te entretem, outras te informam, outras te ensinam. Mas o que exatamente te faz pensar?

Faz muito tempo que temos sido expectadores passivos dos meios, das mídias e das tecnologias de comunicação. A oralidade não pertia a análise porque os guris só tinham tempo para a mnemotécnica. O livro é uma pessoa usando nossa mente de playground, “quem lê muito acaba perdendo a faculdade do pensamento próprio, assim como quem anda de carro perde o hábito de caminhar” (Edmund Carpenter). A TV nos alivia do trabalho de pensar, quando a gente não quer pensar a gente liga a tevê numa atitude de quase meditação.

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Charles Chaplin, no filme Luzes da Cidade faz uma piadinha
quando come confete que ele toma por espaguete.

O que parece é muito mais legal ir pra faculdade pra paquerar do que efetivamente prestar atenção em qualquer coisa. É engraçado ver as pessoas franzindo a testa num esforço claro de tentativa de compreensão: “O que é que esse cara tá falando?” E depois ver que não há vínculo nenhum com seus conhecimentos, porque na grande maioria, o jovem em formação é fraco por não ter interesse em sua formação. Se estamos preocupados em nos formar, porque não nos formamos? Durante dois anos, meu orientador me disse “não basta pesquisar e apurar, o conhecimento leva um tempo para sedimentar“. Não entendia muito bem no começo, mas agora sei “o que aquele cara tava falando”.

A verdade é que temos preguiça de ler, preguiça de escrever - o twitter é o golpe de misericórdia da preguiça humana, esquece a questão de tempo - e o pior de tudo: temos preguiça de pensar! Como sujeitos somos extremamente simples, não temos capacidade analítica, não temos questionamentos, sequer estamos aptos para questionar, não somos capazes de relacionar as coisas porque simplesmente temos preguiça.

Longe de ser caxias ou puritana: falo muito palavrão, tenho um linguajar chulo e promíscuo e adoro aqueles filminhos divertidos que circulam no twitter dos amigos. Mas o que pode ser pior do que sermos preguiçosos e simplórios? Consentir com o lixo no meio da sala. Contribuir como “fazedores da internet do Brasil” para uma sociedade cada vez mais digital trash, com cada vez menos sedimentação de capital intelectual, cultural, político, moral ou coletivo.

Se você tem preferido não pensar muito ultimamente, te peço: pense nisso.

Medindo a audiências nos widgets

14 de novembro de 2008 por Stelleo Tolda

A ComScore divulgou que vai medir audiência da internet em widgets e outros aplicativos no browser. É uma forma de reconhecer a importância do conteúdo distribuído da rede. Particularmente, considero isso extremamente positivo.

Já uma outra medida não me parece tão positiva é uma medida de GRPs que é usada na “mídia tradicional” e se caracteriza por somar as audiências das inserções de uma programação de TV. No caso da comScore, vai medir as impressões dos anúncios que um usuário de internet “consumiria”.

É uma forma de “traduzir” para quem não entende audiência na internet. Considero negativo não pela tradução em si, mas por tentar fugir daquilo que a internet tem de melhor: a possibilidade de medir de forma direta e efetiva o resultado de toda e qualquer ação de marketing.

Os resultados serão entregues aos clientes da ComScore, obviamente, num relatório estendido, permitindo contabilizar a audiência que consome este tipo de conteúdo, a média de visitantes destes aplicativos, a forma de uso, etc.

O bom é que teremos mais uma métrica a mais disponível no mercado e por outro lado, temos uma outra forma de contabilizar – GRP – emprestada da mídia tradicional…o que pode não ser tão bom assim…

AC/DC Rock-Nerd

7 de novembro de 2008 por Stelleo Tolda

Nunca tinha visto nada igual, mas como apreciador de rock´n´roll vi a notícia no Gigablog e achei curiosa a iniciativa dos roqueiros.

A banda dos irmãos Young resolveu criar um clipe diferente: dentro de uma planilha de Excel (http://www.acdcrocks.com/excel/).

Em tempos em que as bandas se lançam no My Space, no Facebook ou tem widgets mil em seus sites ou nos sites sociais de música, a iniciativa chama a atenção pelo caráter inusitado. Ainda assim, tem caráter viral pelo sistema de escolha.

A música dentro do Excel é “Rock ‘N Roll Train” do álbum recém-lançado  “Black Ice”. O vídeo, dentro da planilha, é composto por uma série de caracteres. Claro que a banda também se preocupou em deixá-lo disponível no YouTube, mas quem aprecia pelo Excel tem uma experiência diferente.

O que será que as bandas ainda vão inventar?

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Clipe de música do AC/DC é feito no Excel (Fonte Gigablog)

 

 

 

 

Transformando o computador em televisão

31 de outubro de 2008 por Stelleo Tolda

A proposta do iSofa.tv é transformar o computador em uma TV, exibindo os vídeos mais acessados da Internet, com a vantagem de que o usuário faz a sua programação.

Cada usuário cadastrado cria a sua própria estação de TV, com o endereço seucanal.iSofa.tv e acessa de qualquer parte do mundo a sua programação.

Além do usuário ter os seus programas preferidos ao acesso de um clique, também pode compartilhar, indicar e socializar as escolhas com os sites de bookmarking social como stumble, digg, de.li.ci.ous, além do Orkut.

Os idealizadores ainda prometem para o futuro salas de exibição de vídeos em que será possível convidar amigos para assistirem o mesmo vídeo enquanto conversam via chat.

Será que a TV, tal qual conhecemos hoje, tem futuro?

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iSofa.tv permite criar seu próprio canal de TV (Fonte AdNews)

Depois do jornal, agora os blogs morreram!!!

25 de outubro de 2008 por Rafael Bucco

Paul Boutin, blogueiro do Valleywag, publicou na Wired um artigo que defende: a era dos blogs acabou. Se você planeja fazer um, ou tem o seu, esqueça, feche-o. Pra ele, Twitter, Facebook e até o Flickr são canais noticiosos mais expressivos e serão ainda maiores no futuro. Claro, ao escrever isso, pipocaram reações mundo afora.

Até a Fast Company se manifestou e divulgou um texto comentando a pressa de Boutin em declarar o fim de mais alguma coisa digital. Veja os principais argumentos do assassino e dos defensores dos blogs (sou um desses).

Para Boutin, blogs já eram por que:

  • Perderam espontaneidade. Os principais blogs são feitos por profissionais.
  • Campanhas de marketing inundam os blogs com informação desinteressante
  • Graças ao volume de blogs que surge todo dia, é quase impossível para uma voz interessante se destacar
  • Idiotas deixam comentários mal educados e desrespeitosos, matando qualquer discussão relevante

Para quem acredita nos blogs (Fast Company e mais gente aqui ):

  • Blogs permitem se aprofundar em um assunto de um jeito que Twitter, Facebook, Flicker e Youtube nunca permitirão
  • Blogs são o centro de sua personalidade digital: você pode participar de quantas redes quiser, mas é no blog que suas idéias mais relevantes estão reunidas e é ali onde você pode se expressar de forma mais ampla
  • Marketing e profissionais dominam os principais blogs, sim, mas quem procurar fora da lista dos 100 blogs mais acessados do Technorati vai encontrar vozes interessantes com mais facilidade do que crê Boutin

Engraçado é ver como um argumento para a resistência dos blogs são parecidos com os dados pelos jornais: informação analisada em profundidade. Bom, será que agora teremos palestras de jornalistas x blogueiros x twitteiros?!?!? Espero que não, e que todos usem todas as ferramentas ao mesmo tempo!

Votando pelo celular

24 de outubro de 2008 por Stelleo Tolda

 

Particularmente, penso que a idéia seja muito boa. Imaginem as vantagens em termos de ubiqüidade, rapidez e facilidade?

O CIASC (Centro de Informática e Automação do Estado de Santa Catarina) está em processo de desenvolvimento de uma “urna digital”, trata-se de um sistema que realiza a apuração em tempo real em um aparelho smartphone e permite ao usuário votar sem sair de casa.

Os idealizadores acreditam que o projeto seria um facilitador da democracia. Levando-se em conta os idosos, os deficientes e os jovens abaixo dos 16 aos 17 anos, realmente, trata-se de inclusão!

Fora as questões de inclusão e de facilidade, o presidente do CIASC afirma que as eleições municipais custam aos cofres públicos cerca de R$ 1 bi. A nova tecnologia, por sua vez, gastaria apenas 5% desse valor.

A urna digital não permite que votos duplicados sejam contabilizados. Também está em ambiente de teste em empresas e organizações privadas.

Realmente, tudo o que tem potencial de ser digitalizado, o será! Assim espero. E que acabem as filas nas sessões eleitorais.

Se já somos um avanço em termos de eleições, por conta de nossas urnas eletrônicas, imaginem o progresso com celulares, smartphones e afins!

Veja mais na web

Sistema criado em Santa Catarina permite voto pelo celular; ouça (Fonte: Folha Online)

 

OBS: Amanhã tem Intercon 2008. Espero vocês: http://imasters.uol.com.br/intercon/2008/.

Do que eles gostam

17 de outubro de 2008 por Stelleo Tolda

Mais do que “do que eles gostam”, começo esse post com “Do que eles precisam”. E completo: acesso à tecnologia.

Neste sentido, as lanhouses caíram no gosto popular e funcionam como instrumento de inclusão digital em nosso país, sobretudo nas periferias das grandes cidades e nas cidades menores que não dispõem de computadores ou internet em casa.

Há tempos estamos falando da entrada das classes C e D na internet e no comércio eletrônico. É sabido também que a porta de entrada para esses usuários são os jogos, os sites de relacionamento, de emprego e também os provedores de e-mail.

O mundo virtual serve para reforçar os vínculos que existem no mundo “real”. É o que diz a antropóloga e professora da ESPM/RJ, Carla Barros.

As redes sociais se apresentam então como a grande opção para esses grupos interagirem sem os custos proibitivos de transporte e de telefonia, por exemplo.

O que isso tudo significa? Que o aumento do poder aquisitivo destas classes, de fato, inaugura um novo mundo de possibilidades para o comércio eletrônico. O tíquete médio pode ser menor, mas em termos absolutos, essa população é muito maior que as classes A e B.

Você vai ficar fora dessa?

 

Veja mais na web

A riqueza dos bits (Revista Bites)

Lanhouses e a inclusão digital (Fonte MLOG)

O estado da blogosfera

10 de outubro de 2008 por Stelleo Tolda

O Technorati, umas das entidades que mensura a blogosfera mundial, divulgou os resultados da 5ª edição do State of Blogosphere, um estudo anual sobre a popularização dos blogs.

Embora a metodologia gere certa polêmica, pois pouco ou nada inclui da blogosfera sul-americana (7%) e africana (0%!), o estudo nos apresenta uma crescente nas mídias sociais. Desde 2002, 133 milhões de blogs se registraram pelo sistema, porém apenas uma parte pequena (5,5%) teve atualização nos últimos quatro meses.

Em termos de formação acadêmica, 70% dos blogueiros têm graduação e 40% deles têm renda média anual de US$ 75 mil. No quesito faixa etária, menos da metade têm mais de 35 anos e 2/3 são homens.

Os blogs pessoais (que não incluem trabalho) são mais recorrentes, com 79% do total. Os blogs profissionais ocupam a segunda posição, seguido pelos corporativos (como este nosso aqui) com 12% do universo.

No Brasil, o Ibope/NetRatings aferiu que em junho deste ano, cerca de 11 milhões de internautas (representando 51% dos usuários domésticos da rede) navegaram pelas plataformas WordPress ou Blogger.

Como o estudo Technorati inclui mais preponderantemente a blogosfera norte-americana, os nossos números talvez não ganhem a mesma expressão que temos em terras nacionais.

Outro ponto que vale questionar e que foi mencionado no artigo do IDG é que a medição não inclui blogs hospedados em servidores próprios, uma realidade da blogosfera brasileira entre os de maior relevância.

Mesmo assim, números na casa dos seis dígitos são impressionantes e nos deixam uma principal lição: não se trata de um mundo que pode ser ignorado, negligenciado ou esquecido pelas empresas.

 

Veja mais na web

Technorati: blogosfera estrangeira atinge disseminação e perfil mais maduro (Fonte Digital Age/IDG Now)

Jornalismo também se faz pelas mídias sociais

3 de outubro de 2008 por Stelleo Tolda

Recentemente, a Globo lançou um portal para reunir pessoas que querem denunciar queimadas e desmatamentos na Amazônia – o Globo Amazônia.

Os integrantes do Orkut que quiserem podem instalar widgets em seus perfis para potencializar o mecanismo de denúncia da Rede Globo.

O aplicativo já ocupa, segundo o blog Intermezzo, o terceiro lugar no ranking dos mais utilizados pelo brasileiro, ficando atrás de BuddyPoke e o Minha Música.

Além do Globo Amazônia, Globo Esporte e Portal Exame também aderiram aos widgets para o nosso mais expressivo site de relacionamentos online, o Orkut.

Noticiário multimídia segmentado, game (Jogo da Bolsa) e outros “que tais” incrementam os perfis que antes tinham as características apenas de entretenimento e engordam o rol de funções que os sites de relacionamento passam a ter para as pessoas.

O que leva uma grande empresa jornalística a se lançar neste mundo? Colaboração dos membros? Acredito que não. A questão de ir até onde o povo está é mais forte, em minha opinião. Estar no Orkut significa estar onde a audiência está a real intenção seja “puxar” esse tráfego para os sites.

Já o YouTube criou um concurso jornalístico em seus domínios: o “Project: Report“, uma competição voltada para jornalistas amadores (não-profissionais) e também estudantes de jornalismo. Ganha quem contar histórias que a mídia tradicional não deu. O que ganham os participantes? Uma bolsa para o Pulitzer Center.

O que fica evidente nestas duas iniciativas:

- a necessidade das organizações atraírem os internautas com conteúdo relevante

E

- gerar participação e envolvimento de seus membros.

Na era da participação, ninguém quer ficar de fora.

;-)

Veja mais na web

Por que o Fantástico, o Globo Esportes e o Portal Exame criaram aplicativos para o Orkut? (Fonte Blog Intermezzo)

YouTube cria competição jornalística (Fonte Blog Intermezzo)

Redes sociais são a nova aposta das marcas (Fonte MLOG)

Jornalismo financiado pela comunidade (Fonte MLOG)

Armazenamento social

26 de setembro de 2008 por Stelleo Tolda

A expressão  “Cloud computing” vem se popularizando nos últimos tempos. Uma das áreas que ganhou com esse conceito de ubiqüidade e computação remota foi a de armazenamento online. Sobretudo se pensarmos a questão do back up de dados.

Os HDs externos, os pen drives, os CDs, disquetes e afins ganham um poderoso aliado:  o armazenamento online que dispensa todos esses aparatos.

Um dos serviços de armazenamento online que me chamou a atenção foi Wuala. Um artigo do Economist diferencia o Wuala pelo fato de que a maioria das empresas que presta esse serviço se utiliza de servidores centralizados. O problema da nuvem é justamente quando os servidores caem.  A beleza do serviço Wuala da empresa Caleido está em conseguir mais confiabilidade usando o que eles chamam de “social online storage” ou armazenamento online social (por falta de um termo melhor, como já havia dito Roberto Cassano, que acredita que o termo social remete a causas humanitárias e sociais).

O desafio do Wuala é minimizar o número de cópias do mesmo arquivo que ocupam banda e espaço nos computadores. A solução dos idealizadores então é quebrar os arquivos em “pedaços” que podem ser distribuídos nos computadores participantes e que depois são reconstruídos para acesso.

Detalhes mais técnicos sobre o Wuala podem ser acessados no próprio site: http://wua.la/ ou na matéria do Economist (http://www.economist.com/daily/news/displaystory.cfm?story_id=12081445&fsrc=nwl).

As vantagens: você sempre terá os seus arquivos ainda que não disponha de seu PC ou se algo acontecer com ele, a qualquer momento e de qualquer lugar do mundo. Compartilhamento de arquivos é também outra vantagem, uma vez que é possível escolher quem pode ter acesso a que tipos de arquivos.

Enfim, o sentido de comunidade pode trazer benefícios para os usuários comuns até mesmo no armazenamento de arquivos…

Veja mais na web

Thanks for the memory (Fonte The Economist)

Wuala

Cloud Computing (Fonte Coworkers)